Transeunte
I
Disparou
e dessa vez constante
Tudo ao redor pulsava
contorcia, apertava
Alguma coisa me queria perto
e me queria ninguém
me odiava
e me amava
coisa que não estava pronta
Ao longe
o som abafado do terço
o choro, o grito
A luz encardida
me atravessou as pálpebras
O som agudo de um juízo verde
Tudo perigosamente
parecido com a morte
O cheiro
O expurgo derradeiro
O tempo agora era meu
II
Você não tem o que querer
Você tem que querer
Você tem que comer
Você tem que comer
Você tem que comer