Americano
O farelo de vidro roçava no vidro dos cacos
nas frestas tortas entre arestas cortantes
sujas do sangue das mãos de quem já tentou
Graves de surdo e batimento latejavam na têmpora
Eu querendo evitar o esbarro torpe das pessoas
que saíam pra fumar e deixavam bebida
levavam cravados nos pés estilhaços
Aquela lama preta de cerveja e mijo
impregnada em mim e nos tantos sapatos
que dançavam e pisavam
Aquele bafo quente
Eu ali parado
Eu tava quase bem
Eu nem lembrava mais
Aí vem o sol pela porta da frente
e me faz refletir na vidraça
A imagem de mim esperando o conserto
que alguém me refaça