Calmaria
Esse aperto no peito, esse cansaço,
essa falta de ar, essa agonia,
essa ânsia, essa espera, essa euforia,
essa luta, esse canto, esse rechaço,
esse pranto, esse tanto de estilhaço,
essa voz que aos poucos me invade,
essa súbita não velocidade,
mas o barco do cais se distancia.
O balanço do mar é calmaria,
mesmo em dia de forte tempestade.
Quando vem a saudade e adentro aflora
e espalha o vazio dentro do peito;
e, navalha, me talha de um jeito!
quando penso “do mar eu vou me embora”,
quando saio pra dentro, entro pra fora,
quando menos espero, a cidade;
E ao cais, amolando a liberdade,
só o beijo da âncora alivia.
O balanço do mar é calmaria,
mesmo em dia de forte tempestade.